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"Jornal Hoje em Dia - 11 de março de 2007"

Simpsons 20 anos
Paulo Henrique Silva
REPÓRTER

Se Homer não trocar a festa por mais algumas horas na Taberna do Moe, e Bart não aprontar uma nova sabotagem, o próximo dia 19 de abril será de muita comemoração para a mais famosa família do mundo. Protagonistas da série animada mais longeva da televisão, Os Simpsons completarão 20 anos de existência. Pouca gente sabe, mas antes de ganhar um programa próprio, em 1990, o clã de pele amarela, olhos esbugalhados e quatro dedos já tinha estreado na telinha, no «The Tracey Ullman Show», em 1987.
Criada por Matt Groening, a família disfuncional formada pelos pais Homer e Marge e pelos filhos Bart, Lisa e Maggie apareceu, pela primeira vez, em vinhetas de 30 segundos, incluídas entre os quadros do programa. A primeira aventura que foi ao ar, intitulada «Boa Noite», mostrou o casal dando boa noite para os pimpolhos. O que seria uma ação corriqueira acaba gerando vários desdobramentos, com Bart querendo saber porque existem pessoas más e Lisa com medo de ser mordida por insetos.
Entre 1987 e 1989, foram produzidos 48 episódios para «The Tracey Ullman Show». O sucesso crescente dos personagens resultou num especial de final de ano, chamado «O Prêmio de Natal», apresentado em 17 de dezembro de 1989. A boa audiência levou a Fox a dar sinal verde para a realização de uma série, com a primeira temporadasendo lançada em 14 de janeiro do ano seguinte. Com Bart e Homer se transformando em ícones pop, o humor politicamente incorreto da animação não saiu mais de cena de lá para cá.
Os Simpsons não eram a primeira opção de Groening, quando ele foi convocado pelo produtor James L. Brooks para uma reunião. A idéia era levar os personagens das tirinhas de «Life in Hell» para o programa. As histórias, publicadas em diversos jornais dos Estados Unidos, chamaram a atenção de Pauly Platt, que promoveu o encontro do autor com Brooks. Nos 15 minutos que permaneceu na sala de espera, Matt Groening mudou de planos e criou uma história baseada numa família abilolada.
Rapidamente nomeou os novos personagens, usando nomes familiares: Homer (seu pai), Marge (sua mãe), Lisa e Maggie (suas irmãs). No caso de Bart, a escolha saiu de um anagrama de «Brat» (pirralho em inglês). Aliás, com Bart é que a história de Os Simpsons começou a ser delineada. Quando era garoto, Groening era fã dos desenhos de «Dennis, o Pimentinha». Mas algo lhe incomodava: «Eu ficava impressionado porque o garoto, que deveria ser uma pimenta, era meio boboca. Eu queria uma pimenta de verdade».
Até hoje freqüentando o horário nobre da TV norte-americana (no Brasil, é exibido à noite no canal pago Fox e, nas manhãs de sábado, na Rede Globo), Os Simpsons é transmitido em 66 países. A febre em torno dos habitantes de Springfield criou capítulos inusitados, como a expressão «D’oh!» se tornar verbete do dicionário «The Oxford English». E Bart foi eleito pela revista Time como uma das 20 pessoas mais influentes da década passada. A mesma publicação elegeu a série como o melhor programa do século XX.
No Brasil, os casos mais interessantes envolveram a celeuma com a Riotur, secretaria responsável pelo turismo do Rio de Janeiro, que não gostou nadinha de ver a Cidade Maravilhosa depreciada no episódio «Blame it on Lisa», exibido em 2002. A família desembarca num Rio onde se fala espanhol e há cobras e macacos nas ruas. Além disso, o Amazonas é apresentado como Estado vizinho e um dos personagens acaba seqüestrado (o que viria a se repetir recentemente no filme «Turistas», ainda em cartaz).
Um ano depois, os produtores voltaram a atacar o Brasil em «Mr. Spritz Goes to Washington», numa cena em que o palhaço Krusty diz que odeio o governo. «Eles estão atrás de mim, o Imposto de Renda, a Imigração. O Teeny aqui é do Brasil. O tio dele era o macaco-chefe do escritório de turismo», despejou, apontando para seu macaquinho. Um tiro certeiro em José Eduardo Guinle, que dirigia a Riotur.
Também foi muito noticiado o caso, ocorrido em dezembro de 2005, envolvendo o apresentador e editor-chefe do «Jornal Nacional», William Bonner, para quem o telespectador médio é como o Homer Simpson. Na sua avaliação, o seu público tinha dificuldade em entender as reportagens mais complexas, especialmente sobre política e economia.

Primeiro longa chega à telona em julho

O bolo de aniversário pelos 20 anos da série «Os Simpsons» virá na forma de um longa-metragem, com previsão de lançamento em julho nos Estados Unidos. O trailer do filme já está sendo exibido nos cinemas, mostrando que a verve satírica de Homer & companhia será ampliada, abrindo espaço para piadas sobre sexo e palavrões.
Enquanto o filme não chega, a distribuidora Fox lançou pacote com quatro DVDs reunindo episódios clássicos da família de pele amarela. Cada disco engloba um tema específico, como esportes («Em Seus Lugares, Posição de Largada, Ai!»), religão («Céu e Inferno»), amor («Sexo, Mentiras & Os Simpsons») e guerra («Os Simpsons Contra o Mundo»).
O olhar impiedoso e satírico está presente em todos eles. «Em Bart versus Austrália», presente no DVD de «Os Simpsons Contra o Mundo», o retrato feito do país da Oceania não deixa pedra sobre pedra, tirando sarro de boomerangues e cangurus ao inglês «caipira» de seus habitantes. A guerra entre os dois lados do Pacífico tem início com uma ligação a cobrar de Bart.
No disco dedicado aos esportes, acompanhamos a família aventurando-se em diversas modalidades, do boxe («Homer Saco de Pancadas») ao hóquei («Lisa no Hóquei»). O primeiro é o mais divertido, devido à quantidade de referências, como a série de faroeste «Bonanza», o lutador Mike Tyson, o empresário Don King e o ator Charlie Sheen.
Fã de «Os Simpsons» desde o início de sua exibição no Brasil, o paulistano Lucas Martins tem em sua casa todos os episódios lançados em DVD. Ele é o criador do «Portal Simpsons» (www.thesimpsons.com.br), o site mais completo da América Latina dedicado aos moradores de Springfield, recebendo cerca de 600 visitas por dia.
Criado em 2003, o site tem todo tipo de informação sobre Os Simpsons, como a relação completa de episódios, a lista de referências sobre filmes famosos («Guerra nas Estrelas», «Jornada nas Estrelas» e «O Iluminado» entre eles), curiosidades sobre a origem do desenho, fóruns de discussão, e guia da 18ª temporada, atualmente em exibição.
«Quando a série passou a ser exibida no Brasil, em 1991, eu ainda era criança. À medida que eu fui crescendo, passei a enxergar outras coisas no desenho, como as referências. Hoje tenho 21 anos e vejo com o mesmo prazer de antigamente. O interessante de Os Simpsons é que ele é feito para atingir toda a família, com cada um se divertindo com um aspecto diferente», afirma Lucas.
Designer de moda e aluno do último ano de Publicidade, o criador do site explica a longevidade do programa com o fato de os personagens nunca envelhecerem. «O próprio Matt Groening já disse isso, lembrando que os atores da série Friends continuam fazendo jovens, ganhando cachês absurdos, mesmo na casa dos 40 anos», destaca.
Lucas Martins registra que, embora se mantenham com a mesma idade, os personagens não estão parados no tempo. «Eles falam de coisas muito atuais, principalmente através de Lisa, a filha inteligente, que por várias vezes apareceu discutindo sobre guerra e política. Em alguns casos, criticam a própria política norte-americana», observa.


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